domingo, 10 de fevereiro de 2013

Na Terra dos Homens - Bruno Santana


Derrubava dragões na garupa do cavalo branco, flanqueado por elfos magnfícos em cabelos dourados e espadas sagradas.
Engatinhava pelo vale da sombra da morte inspirado por antigos sábios, atirando
setas encantadas e expurgando a loucura de magos hipnotizados pela sombra.
Transpirava fel enquanto engolia a areia da terra sagrada - dia e noite - em delírios febris pelos beijos da donzela eterna.
Recuperava a sanidade na luminescência do sol nascente
aprendendo a pensar no nada
sentir o nada
viver o nada
esquecer a dor.


Mas o reino da serenidade caiu: o caminho suave terminou.
A espada está cravada e Arthur é a rocha.
Os velhos de juventude encantada sucumbiram:

Samurais massacrados por tambores de balas
Cavaleiros sagrados expulsos e excomungados
Os assassinos estão no trono

A fauna fantástica agora é piada.

Órfão,
é órfão.

Órfão de si
Órfão de céu
Órfão de fé
Órfão de mágica

mas a magia retorna em cordas flamejantes
em lordes exilados
em guerreiros calados
em símbolos profanos.

O cavalo continua:
  o campo é o mesmo, o sonho rasteja, puxa a grama e segue

em noites
em dias, em lentes, em sombras
resiste à luz.

A profecia toma corpo:


       o escolhido vestiu os espinhos. Monta a Morte, veste o luto
cavalga em silêncio

Negro e Sombrio.

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