sábado, 16 de fevereiro de 2013

Complexo e Confuso - Bruno Santana


Cinco maços amassados espalhados - na mesa, no chão, na cadeira, na cama, no armário ...
Porra! Até pra alguém assim é demais. Melhor amassar melhor e jogar no lixo,
começar a reforma. Reforma é bom, arrumação também. Contar os corpos,
salvar os feridos, ligar pras famílias ... não, não, nem pra tanto -
é só um quarto.

Catar os maços, dobrar roupas sujas, recolher as folhas, canetas no estojo: reforma. Mudar pra prosa?

sei lá

Não, não, assim também não.
Palhetas? Onde ficaram? São duas ... Sem dúvida, uma em cada canto.

Olha mesa, olha chão, olha lixo, olha folhas, olha tudo. Não, não olha tudo.
Todas ali, embaixo do computador - máquina maldita; agora deu pra esconder palhetas.

Bom, melhor aqui que dentro do violão.
Violão de merda, porque não é mais mole e deixa fazer pestana?

Preciso duma guitarra ... Merda! Isso nem é reforma.

Cobertor pro chão, travesseiros pra mesa, lençol esticado:

Blusa retilínea, origami de mangas, dobra aqui, dobra ali, põe no cesto
- ordem no caos é só truque de estilo. Joga no cesto.

Camiseta 1, propaganda de óleo de carro, viagem da irmã nas férias,
show de 2002, vestibular de 2008, inter de 2010, junta tudo, junta tudo,
camiseta velha é que faz cara bom.

Vá lá, folhas.

Amassa poema ruim, guarda desenho bom, amassa esboço feio, guarda ensaio prolixo,
amassa anotação, amassa recado, amassa soneto - porra, preciso dum cigarro, tem um maço ali, ao lado do caderno.

Merda, parece a porra de um Van Gogh - mas de orelha na cara.

Melhor parar.

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