sábado, 12 de janeiro de 2013

Os motivos - Bruno Santana


A face do gênio refletindo o perigo das palavras fortes. Seus olhos preocupados compõem teses sobre a insensatez de frases jogadas. Os extremos não são atingidos sem riscos. A profundidade não é alcançada sem cuidado.

Cuidar de frases, cuidar de palavras, repetir versos, reler estrofes, revisitar ideias: este é o campo do louco. No entanto, loucura só é loucura no mundo da sanidade - enquanto perdido no caos cotidiano de um século tecnológico o louco é apenas transeunte. Nenhuma análise é suficiente.

Aforismos extensivos compõem obras deslocadas. Obra de anjo poético metido a filósofo. Não se faz filosofia cantando. O canto não se presta à análise. Definir não é tarefa de homens; definição é artimanha natural: o céu é definido, o sol tem leste e oeste, a gravidade puxa e derruba, o mar está lá.

“ Deus sempre perdoa, o homem algumas vezes perdoa, a natureza nunca perdoa ”

A frase ecoa por paredes marrons, captada e amplificada por livros, chinelos, cuecas, calças e folhas do chão. 


O natural é fatal.

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